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20 de Setembro de 2019
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    Desigualdade social

    O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), apresentado no dia 22 de fevereiro deste ano, no Rio de Janeiro, por ocasião do Fórum Mundial de Habitação e que apontou Goiânia como uma das quatro cidades mais desiguais do País, foi o objeto de discussão da audiência pública realizada nesta quinta-feira, 13. A audiência foi promovida pela deputada Isaura Lemos e a vereadora por Goiânia Tatiana Lemos (ambas do PDT) e realizada no Auditório Solon Amaral.

    Segundo o relatório, Goiânia lidera grupo das cinco capitais brasileiras (Brasília, Fortaleza, Curitiba e Rio de Janeiro) mais desiguais do mundo, ao lado de cidades da África e da Colômbia. No ranking da desigualdade, Goiânia apresenta o índice de 0,65. O indicador é baseado numa escala que vai de zero a 1, quanto mais perto de 1, maior a distância entre ricos e pobres.

    Participaram da audiência, além da deputada Isaura Lemos e da vereadora Tatiana Lemos, a representante da ONU Habitat para América Latina e Caribe, Cecília Martinez; o chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Assistência Social, Jefferson Coelho Lopes, representante do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia; a procuradora de Justiça Laura Maria Ferreira Bueno, representante do Ministério Público Estadual; o representante do Instituto de Estudos Sócio-Ambientais da Universidade Federal de Goiás (IESA-UFG), professor João Batista de Deus.

    Estiveram presentes, ainda, estudantes e representantes de instituições que levantaram questões e apresentaram opiniões acerca do tema que foi tratado principalmente pela representante da ONU, que elucidou pontos do relatório e apontou caminhos e soluções para um trabalho de melhoria nos índices de desigualdade social da capital goiana.

    Critérios

    Cecília Martinez destacou que o estudo realizado não mede crescimento econômico e sim de desigualdades. É muito comum um local com grande desenvolvimento econômico apresentar por consequência aumento na desigualdade social, destacou.

    De acordo com Martinez, as cidades estão em constante movimento e devem acompanhar estas mudanças e oferecer condições e oportunidades à sua população. O que o relatório fez não foi medir se as cidades são melhores ou piores, e sim se estão sendo capazes de acompanhar suas mudanças dando oportunidades ao seu povo.

    A representante da ONU lembrou ainda que o aspecto moradia não é o único item de melhoria de vida. A situação da moradia é só um aspecto da qualidade de vida. Temos cidades como o Rio de Janeiro, onde parte da população, que têm a sua casa, dorme nas areias da praia devido a impossibilidade de voltar para casa no fim do dia, ponderou.

    Martinez disse que os problemas do mundo estão se tornando estritamente urbanos e por isso a importância do estudo realizado pela ONU que permite acompanhar como as cidades estão evoluindo. De acordo com ela, o relatório é feito com base nos dados que lhes são repassados. Neste sentido a diretora concordou que pode e certamente existem cidades em condições muito piores que Goiânia, mas às vezes os dados são omitidos.

    O que cabe a Goiânia, que possui uma clara preocupação com a qualidade de vida de seu povo, não é pensar no resultado obtido e sim pensar adiante e melhorar os aspectos exclusivamente por benefício de sua população, orientou.

    De acordo com Cecília Martinez o relatório traz também estas sugestões e não fala apenas das desigualdades, mas também dos passos que devem ser seguidos para diminuir este dado.

    Mudança

    A procuradora de justiça Laura Maria Ferreira Bueno, representante do Ministério Público Estadual, ressaltou que o Ministério Público tem trabalhado no fortalecimento da instituição, conforme orienta a ONU, para a melhoria da desigualdade social. Temos representantes em todos os cantos do Estado, e buscamos atuar de forma uniforme. Isso tem mostrado resultados positivos que, com toda certeza, vai ao encontro do que foi orientado pelo relatório da ONU, destacou.

    Este é um relatório científico e não temos como desacreditar dele. Admitir o problema é o primeiro ponto para iniciarmos essa mudança. Goiânia hoje é uma capital que possui maior índice de veículos por pessoa, e um dos seus maiores problemas está no transporte público. Isto por si só já demonstra que há uma enorme desigualdade, disse a promotora.

    Expectativas

    O chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Assistência Social, Jefferson Coelho Lopes, representante do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, ressaltou que as políticas públicas desenvolvidas na Capital nos últimos seis anos deverão trazer enormes melhorias nos índices de desigualdade social da cidade, quando um novo relatório for realizado.

    Acredito que nos próximos anos, se continuarmos no mesmo caminho, Goiânia estará como uma das melhores cidades em termos de desigualdade social. Estamos combatendo a fome e a pobreza, e isto irá mudar esta realidade, comentou.

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