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24 de Janeiro de 2019
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    Thiago Peixoto enaltece obra de Aidenor Aires

    Prezados senhores e senhoras,

    Discursos em solenidades como esta soam como uma espécie de justificativa. O autor da propositura costuma subir a esta tribuna para, através de inúmeras laudas, detalhar o currículo do homenageado e, assim, expor publicamente os motivos que o levaram a conceder o título de Cidadão Goiano à pessoa em questão.

    E aproveito para fazer referência especial ao hoje vereador Fábio Tokarski que, em 2006, quando estava nesta Casa de Leis, tomou a iniciativa desta homenagem através da apresentação de um projeto de lei.

    Teríamos aqui todas as condições para não fugir à risca e explicar porque alguém nascido em Riachão das Neves, na Bahia, e hoje com 63 anos, merece, em caráter oficial, ser reconhecido como um legítimo goiano diante de ilustres e importantes testemunhas que estão aqui neste plenário.

    Mas no caso de Aidenor Aires podemos nos dar ao direito de não seguir o protocolo. Não que iremos deixar de lado tudo que ele fez desde que chegou em Goiás. Mas no caso dele, precisamos ressaltar o que vimos nas entrelinhas.

    A forma como alguém se dedica a trabalhar em prol da sociedade revela muito de um ser humano. Revela o melhor dele. Olhar pra trás e ver tudo o que Aidenor Aires já fez em prol dos goianos é ter a certeza de que estamos diante de um grande homem.

    Seja como poeta, contista, articulista do jornal Diário da Manhã, professor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, um apaixonado pela arte de escrever ou promotor do Estado de Goiás, Aidenor conseguiu se destacar como um homem que merecerá sempre nossa admiração e respeito.

    Nascido na Bahia, ele veio para Goiás ainda pequeno. Nem de longe imaginaria que contribuiria tanto com o desenvolvimento daquela que seria sua nova terra. O garoto que chegou aqui com os pais se casou e tem hoje três filhos, todos com nomes que nos remetem à artistas e intelectuais do passado: Cecília Aires Pereira, Marilia Silveira e Olavo Aires.

    Aidenor, como muitos sabem, cursou Direito e Letras Vernáculas na Universidade Católica de Goiás, hoje Pontifícia Universidade Católica. Não sem antes passar pelo Liceu de Goiânia, um dos colégios mais tradicionais do Estado.

    Talvez não seja do conhecimento de todos, mas Aidenor enveredou-se também pelo Governo do Estado. Foi assessor especial da Governadoria.

    Muita coisa para um homem só. Mas nada que ele não tenha feito com zelo, competência e maestria.

    Mas permitam-me ater ao Aidenor que desenvolveu um trabalho pioneiro à frente da União Brasileira de Escritores e da Academia Goiana de Letras. Quero focar no Aidenor poeta, escritor, mestre nas palavras.

    O motivo?

    Simples. Não pairam dúvidas de que sua obra literária é a maior de todas as heranças que Aidenor deixará para várias gerações de goianos.

    Podemos começar citando o início de tudo: Reflexões do conflito, de 1970. Obra feita a quatro mãos. Por isso, nossa referência ao poeta Gabriel Nascente. Temos também Aprendiz do Desencanto e os Deuses são Pássaros do Vento, na década de 80. Lavra de Insolúvel vem na década seguinte. O Dia Frágil e A Árvore do Energúmeno já são deste milênio.

    Milênio este onde já é possível acompanhar a obra de Aidenor Aires pela internet. Aliás, é de lá que vamos tirar os depoimentos que corroboraram tudo que dissemos até aqui.

    Arakem Carvalho de Miranda, por exemplo, disse em fevereiro do ano passado que nosso homenageado consegue ter a visão decente da indecente realidade.

    Elizabeth Caldeira Brito afirma ter a plena certeza de que a bucólica Riachão das Neves perdeu um mito para Goiás ganhar o melhor poeta vivo de nossa terra.

    O jornalista Salomão Souza, que vive em Brasília, mas é natural de Silvânia, não opinou de maneira diferente dos demais, mas fez uma cobrança. Classificou Aidenor como um orgulho pela poesia de grande finura. E pela amizade que não se apaga, mesmo com ausências intermináveis.

    O advogado criminalista e professor emérito da UFG, Licinio Barbosa, o definiu como um profeta dos novos tempos.

    Foi na internet também que Aidenor Aires colheu repercussões da defesa que fez da criação do Estado de São Francisco. Disse o nosso homenageado: Abre aspas: Pode-se ver que a criação do Estado do São Francisco é um futuro a que não se pode fugir. Quanto mais cedo vier, mais passo terá dado o país para seu mais orgânico, igualitário e humano desenvolvimento. Fecha aspas.

    Como se não bastasse tudo isso, ele ainda é um apaixonado pelo Rio Araguaia. Mais goiano do que isso, impossível.

    Em 30 de junho deste ano, Aidenor publicou um artigo no Diário da Manhã intitulado O claro enigma de Gabriel. Lá o nosso homenageado escreveu que, segundo Manuel Bandeira, não existe poetas perfeitos, mas poemas perfeitos.

    Podem não existir poetas perfeitos. Mas existem goianos que almejam a perfeição. Um deles é Aidenor Aires.

    Muito obrigado.

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